Introdução: eu estava lá desde o começo
Eu joguei Assassin’s Creed no ano do lançamento em 2007. Lá atrás, quando a franquia ainda era uma novidade, ninguém imaginava que aquela ideia de assassinos históricos, parkour em cidades densas e conspirações atravessando séculos se transformaria em um dos maiores universos dos videogames.
Desde então, eu acompanhei todas as fases da franquia. Vivi a era clássica, senti o impacto da mudança para o RPG e continuo jogando até hoje. Por isso, este não é um texto nostálgico nem uma defesa cega de um lado só. É um review da evolução de Assassin’s Creed, com base na minha experiência real como jogador.
E já adianto: pra mim, hoje, Assassin’s Creed é foda — mas não chegou até aqui sem tropeçar no caminho.
A era clássica: quando Assassin’s Creed criou identidade
Nos primeiros jogos, Assassin’s Creed tinha algo muito claro: identidade.
Você era um assassino. O jogo te pedia paciência, leitura de ambiente, escalada estratégica e ataques precisos.
Joguei:
- Assassin’s Creed
- Assassin’s Creed II
- Brotherhood
- Revelations
- Assassin’s Creed III
- Black Flag
- Unity
- Syndicate
Cada um desses títulos ajudou a construir a base da franquia. Mas, pra mim, Black Flag foi o que mais marcou.
Black Flag e o ritmo da pirataria
O que fez Black Flag se destacar foi o ritmo.
A pirataria trouxe liberdade, exploração marítima, batalhas navais e uma sensação de aventura que nenhum outro Assassin’s Creed tinha entregado até então.
Mesmo ainda sendo parte da era clássica, Black Flag já mostrava que a franquia precisava respirar fora das cidades fechadas. Ali já existia um embrião do que viria a ser o mundo aberto massivo dos jogos RPG.

O cansaço da fórmula e a necessidade de mudar
Por mais que eu gostasse da fase clássica, era impossível ignorar um problema: a fórmula estava se repetindo.
Todo ano um Assassin’s Creed novo, com poucas mudanças reais, começou a desgastar a experiência.
A Ubisoft percebeu isso. E, diferente de muitas empresas, teve coragem de fazer algo arriscado: parar, repensar e mudar tudo.
Essa decisão levou a franquia para um caminho que dividiria os fãs, mas também garantiria sua sobrevivência.
A virada para o RPG: impacto imediato (e positivo)
Quando Assassin’s Creed passou oficialmente para o RPG, minha reação foi simples: curti de cara.
Joguei os três principais da fase RPG:
- Origins
- Odyssey
- Valhalla
Mas o primeiro RPG de fato que eu joguei foi Assassin’s Creed Odyssey — e ele deixou claro qual era a nova proposta da franquia.
O que me conquistou no Assassin’s Creed RPG
Alguns elementos fizeram essa fase funcionar muito bem pra mim:
- Combate mais profundo, menos automático
- Ambientação histórica absurda, especialmente ligada à Antiguidade
- Mapas gigantes, que realmente passam a sensação de escala
- Qualidade gráfica impressionante
- Liberdade total de exploração
Explorar a Grécia Antiga em Odyssey não era só jogar um game — era quase uma viagem histórica interativa.
O RPG combina com Assassin’s Creed?
Na minha opinião: sim, combina.
Mas não de forma absoluta.
O estilo RPG trouxe algo que Assassin’s Creed precisava urgentemente: sensação de evolução constante. Build de personagem, escolhas de habilidades e progressão mais profunda deram longevidade à experiência.
Além disso, vale um ponto importante: RPG de mundo aberto é o gênero que eu mais gosto. Então, naturalmente, essa fase conversa muito comigo como jogador.
O problema do RPG: o grind de nível
Nem tudo são flores.
O maior problema da fase RPG, pra mim, é claro: o esquema de subir de nível é demorado.
Em vários momentos, a progressão parece artificial. Você não evolui porque a história pede, mas porque o jogo te obriga a fazer conteúdo secundário para alcançar o nível necessário.
Isso quebra o ritmo, dilui a narrativa principal e, em alguns casos, transforma a experiência em uma maratona cansativa.
Esse é o ponto onde Assassin’s Creed RPG mais escorrega.
Assassin’s Creed perdeu a identidade?
Essa é a pergunta que divide a comunidade.
Minha resposta é direta: tem que ser meio-termo.
Assassin’s Creed não pode abandonar:
- Stealth
- Parkour
- Escalada
- Ambientes densos
Mas também não precisa abrir mão:
- Do RPG
- Do mundo aberto gigante
- Da progressão
- Da liberdade
O problema nunca foi o RPG em si. O problema foi empurrar o RPG sem preservar completamente o DNA da franquia.
RPG ou clássico? Minha escolha é clara
Se eu tivesse que escolher apenas um estilo, eu fico com:
👉 Assassin’s Creed RPG (mundo aberto gigante, build e níveis)
E o motivo é simples: é o gênero que eu mais gosto.
Explorar mapas enormes, evoluir personagem e viver uma jornada longa faz muito mais sentido pra mim hoje do que uma experiência mais curta e linear.
Isso não significa que o estilo clássico seja ruim. Significa apenas que meu perfil de jogador mudou junto com a franquia.
Assassin’s Creed Mirage: o respiro necessário
O Mirage foi exatamente o que eu esperava dele: um respiro.
Ele entregou tudo o que prometeu:
- Experiência focada
- Parkour em ambiente denso
- Foco total em stealth e furtividade
E isso foi importante não só para os fãs, mas para a própria Ubisoft. Mirage mostrou que dá pra alternar estilos sem abandonar nenhum lado.
Ele não é um retrocesso. É um ajuste de rota.

O futuro ideal da franquia
O que eu espero daqui pra frente é simples e ambicioso ao mesmo tempo:
👉 Assassin’s Creed continuando no RPG,
👉 mas com mais stealth, parkour e identidade,
👉 explorando muitas épocas e eras diferentes ao redor do mundo.
A franquia tem potencial infinito. Japão feudal, Império Romano, América do Sul, África, Ásia… o universo de Assassin’s Creed é grande demais para ficar preso a uma única fórmula.
Conclusão: Assassin’s Creed hoje
Hoje, Assassin’s Creed pra mim é foda.
É uma franquia que soube mudar quando precisava, mesmo sabendo que iria dividir opiniões. Nem todas as decisões foram perfeitas, mas poucas séries têm coragem de se reinventar desse jeito.
Do assassino silencioso nas sombras ao guerreiro RPG em mapas gigantes, Assassin’s Creed continua relevante porque não ficou parada no tempo.
E se o futuro for esse meio-termo bem equilibrado entre RPG e essência clássica, a lâmina oculta ainda tem muita história pra contar.










