Apesar de ter sido anunciado como um dos filmes baseados em videogames mais aguardados do ano, Five Nights at Freddy’s 2 acabou se tornando o mais novo fiasco de terror da Blumhouse em 2025. Assim como M3GAN 2.0, a sequência tenta superar o primeiro filme de todas as formas possíveis — e tropeça justamente por isso. FNAF 2 sofre ao tentar encaixar personagens demais, animatrônicos demais e tramas demais em apenas 1h45 de duração. Em vários momentos, diferentes vilões repetem a frase “Quero ver o que se passa na sua cabeça”. Ironicamente, tudo o que se passa na sua cabeça é uma pergunta: o que exatamente essa sequência confusa quer alcançar?
Dirigido por Emma Tammi, o filme traz de volta Josh Hutcherson como Mike Schmidt, o ex-segurança da Freddy Fazbear, agora tentando seguir em frente reformando uma casa e construindo um relacionamento com Vanessa (Elizabeth Lail). Enquanto isso, ele simplesmente ignora o fato de que sua irmã Abby (Piper Rubio) continua obcecada pelo restaurante — um detalhe que prejudica totalmente o desenvolvimento da personagem. Mas, mesmo que Mike tente virar a página, Freddy Fazbear está em todo lugar: a cidade ficou tão fissurada pela mascote que criou o primeiro Festival Fazbear anual.

Para Vanessa, esse clima desperta memórias traumáticas da pizzaria original, levando-a a revisitar seu passado — provavelmente a parte mais interessante do filme, conseguindo até preencher algumas lacunas deixadas pelo longa anterior. Além disso, uma equipe de investigadores paranormais é atraída ao local. Porém, se você espera uma vibe Grave Encounters, com clima de perseguição fantasmagórica dentro da pizzaria, esqueça: a subtrama aparece, cumpre sua função e desaparece, assim como vários outros detalhes jogados ao longo do filme.
O longa até tenta agradar os fãs ao incluir easter eggs e referências à mitologia de Five Nights at Freddy’s, mas não entrega nada próximo da experiência intensa e bem estruturada do jogo FNAF 2, da Scott Games. Talvez a sequência tivesse sido melhor se tivesse se mantido fiel ao segundo game, em vez de continuar a história do primeiro filme.

Para ser justo, Five Nights at Freddy’s 2 supera o original no quesito sustos. A sequência incorpora bem o espírito dos jogos e apresenta momentos realmente tensos, apoiados em animatrônicos novos e no acréscimo da Marionete.
Mas tudo isso vem às custas da história.
O primeiro filme já tinha problemas com repetição e previsibilidade — especialmente com o arco do irmão desaparecido de Mike — tornando a experiência arrastada. Já a sequência faz o oposto: acelera tudo a ponto de parecer desesperada para encaixar o máximo de subtramas, sustos e personagens diferentes.
O resultado é um filme incapaz de amarrar suas próprias ideias. O relacionamento confuso entre Mike e Vanessa não evolui, a vingança da Marionete é mal explorada, o personagem Michael não tem propósito claro, e nomes importantes da franquia — como Afton (Matthew Lillard), Henry Emily (Skeet Ulrich) e a investigadora Lisa (McKenna Grace) — são desperdiçados.
No fim, fica clara a tentativa da Blumhouse de abrir o maior número possível de caminhos para futuras continuações. Mas, para o público, a sensação é outra: esperamos dois anos por algo que mais parece um Five Nights at Freddy’s 1.5.










