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Crise na Ubisoft 2026: Ações caem 35%, Prince of Persia cancelado e nova estrutura anunciada

Gráfico de queda das ações da Ubisoft com logo da empresa ao fundo e artes de Assassin's Creed e Prince of Persia em tons escuros, simbolizando a crise de 2026.

A semana de janeiro de 2026 entrou oficialmente para a história como o período mais turbulento dos 40 anos da Ubisoft. Em poucos dias, a gigante francesa viu suas ações despencarem, projetos aguardados serem cancelados, estúdios fecharem as portas e uma reestruturação radical ser anunciada — tudo isso acompanhado de uma crise interna sem precedentes.

O resultado é claro: a Ubisoft de 2026 não é mais a mesma empresa que dominou a indústria nos anos 2000 e 2010.

📉 Queda Histórica nas Ações: Retrocesso de 15 Anos

Os números falam por si. No fechamento da quarta-feira anterior ao anúncio, as ações da Ubisoft estavam cotadas a €6,64. Após a divulgação do plano de reestruturação, o papel despencou para €4,36, uma queda brutal de aproximadamente 35% em um único dia.

Tecnicamente, esse é o menor valor desde 2011, representando um retrocesso de cerca de 15 anos no valor de mercado da empresa. Trata-se da maior queda diária desde a abertura de capital da Ubisoft, em 1996 — um sinal claro de perda de confiança total por parte dos investidores.

🧱 O Fim da Ubisoft Como Conhecemos: Reestruturação Radical

Para tentar conter o colapso, a Ubisoft anunciou um “reset” organizacional completo, abandonando o modelo tradicional de estúdios e passando a operar por meio de cinco “Creative Houses”, cada uma focada em um tipo específico de jogo.

As novas divisões criativas:

  • Vantage Studios (Creative House 1)
    Responsável pelas principais franquias da empresa:
    Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six. 👉 Detalhe crucial: essa divisão é co-liderada por Charlie Guillemot e tem influência direta da Tencent, que aumentou sua participação acionária como parte de uma tentativa de estabilizar a operação e proteger os maiores ativos da Ubisoft.
  • Creative House 2
    Shooters competitivos e cooperativos:
    The Division, Ghost Recon, Splinter Cell.
  • Creative House 3
    Jogos como serviço (GaaS):
    For Honor, The Crew, Skull & Bones.
  • Creative House 4
    Mundos narrativos e franquias clássicas:
    Anno, Rayman, Beyond Good & Evil, Prince of Persia.
  • Creative House 5
    Jogos casuais e familiares:
    Just Dance, Uno e títulos licenciados da Hasbro.

Segundo a empresa, a nova estrutura busca acelerar decisões, reduzir custos e evitar os atrasos e lançamentos problemáticos que marcaram os últimos anos.

🪓 O “Massacre” de Projetos: Cancelamentos e Adiamentos

Para atingir uma meta de economia de 200 milhões de euros até 2028, a Ubisoft confirmou uma série de decisões drásticas.

❌ 6 jogos cancelados

O maior baque foi o cancelamento oficial do remake de Prince of Persia: The Sands of Time, após anos de desenvolvimento conturbado.

Além dele:

  • 3 novas IPs canceladas
  • 1 jogo mobile
  • 1 projeto não anunciado

⏳ 7 jogos adiados

Embora a Ubisoft não tenha divulgado a lista completa, documentos internos e relatórios de mercado indicam que o remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag — conhecido internamente como Assassin’s Creed Black Flag Resynced — está entre os títulos adiados para “garantir o padrão de qualidade”.

💸 Impacto Financeiro Devastador e Baixa Contábil Bilionária

A previsão de prejuízo superior a 1 bilhão de euros no ano fiscal de 2026 assustou o mercado, mas um detalhe chama ainda mais atenção:
desse total, 650 milhões de euros correspondem a uma baixa contábil (write-off) relacionada a projetos cancelados e custos de reestruturação.

Na prática, é dinheiro que já foi gasto e não terá retorno algum — um forte indicativo de anos de má gestão e apostas erradas.

Além disso, a Ubisoft:

  • Reduziu sua previsão de receita para 2026
  • Retirou completamente as projeções para 2026/27
  • Admitiu um cenário de incerteza extrema no curto e médio prazo

🏢 Fim do Home Office e Crise Interna

A crise não ficou apenas no papel. A Ubisoft decretou o retorno obrigatório ao escritório cinco dias por semana, encerrando o modelo híbrido e remoto.

A reação foi imediata. Funcionários e sindicatos classificaram a medida como uma “demissão silenciosa”, uma estratégia para forçar pedidos de desligamento voluntário e reduzir custos trabalhistas.

Fechamento de estúdios e layoffs

Além do fechamento confirmado de:

  • Halifax (Canadá)
  • Estocolmo (Suécia)

Outras unidades também sofreram reduções de equipe (layoffs) nesta semana:

  • Abu Dhabi
  • Helsínque
  • Malmö (Massive Entertainment)

🤖 Aposta Pesada em IA Generativa

Como parte da tentativa de reduzir custos a longo prazo, a Ubisoft confirmou que vai intensificar o uso de Inteligência Artificial Generativa, tanto:

  • No desenvolvimento de cenários e conteúdos
  • Na interação de NPCs (IA de frontend)

A estratégia divide opiniões e levanta questionamentos sobre criatividade, qualidade e o futuro dos empregos na indústria.

⚙️ Pequenas Boas Notícias em Meio ao Caos

Em meio à crise, a Ubisoft lançou atualizações técnicas que permitem que:

  • Far Cry 3
  • Far Cry 3: Blood Dragon
  • Far Cry Primal

rodem agora a 60 FPS no PS5, PS5 Pro e Xbox Series X|S, agradando fãs das versões clássicas.

🔮 O Que Vem Pela Frente?

O novo modelo baseado em gêneros pode representar uma última tentativa de organizar o caos interno, mas deixa perguntas inevitáveis:

  • Assassin’s Creed será protegido ou explorado até o limite?
  • Franquias menores ainda terão espaço?
  • A influência da Tencent crescerá ainda mais?
  • A IA será aliada ou atalho perigoso?

Uma coisa é certa: a Ubisoft entrou em 2026 lutando pela própria sobrevivência — e o próximo capítulo dessa história pode definir o futuro de algumas das franquias mais importantes da indústria dos games.

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