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Josef Fares quebra o silêncio: “Não dá para fazer um GTA com 10 milhões” e a defesa inesperada da EA


O criador de It Takes Two e do novo Split Fiction defende a permanência dos jogos AAA e afirma que a indústria não pode sobreviver apenas de produções médias.

Por Tadeu Aigner

Em um momento em que a indústria de videogames parece obcecada com a redução de riscos e o crescimento dos jogos de médio orçamento (os chamados AA), Josef Fares decidiu remar contra a maré. Em uma entrevista reveladora ao portal The Game Business, o líder da Hazelight Studios não apenas defendeu a existência dos “blockbusters” bilionários, como também saiu em defesa de sua parceira de longa data, a Electronic Arts.

O Valor do Espetáculo: AAA vs. AA

Nos últimos meses, sucessos como Clair Obscur: Expedition 33 levantaram a questão: os jogos AAA se tornaram caros demais e insustentáveis? Para Fares, a resposta é um sonoro “não”. Embora reconheça o valor dos jogos menores, o diretor foi pragmático sobre a necessidade de grandes orçamentos:

“Você ouve por aí que os jogos AA estão dominando, mas eu não conseguiria viver sem um título AAA. Eu quero jogar os blockbusters. Não dá para fazer um GTA por 10 milhões de dólares. Precisamos de ambos.”

Fares argumenta que o “espetáculo técnico” e a inovação de ponta vêm, muitas vezes, desses orçamentos massivos. Para ele, estúdios como a Rockstar, Naughty Dog e Nintendo continuam sendo os pilares que empurram a tecnologia para o futuro.

“A EA recebe mais ‘shit’ do que merece”

Um dos pontos mais polêmicos da entrevista foi a defesa da EA. Conhecida por ser alvo constante de críticas da comunidade, a empresa foi elogiada por Fares pela liberdade concedida por meio do selo EA Originals.

“As pessoas com quem trabalho na EA são jogadores. Eles amam jogos. Não são executivos de terno e gravata”, afirmou Fares.

Segundo o diretor, a imagem da EA como uma “vilã corporativa” é, em grande parte, um exagero da internet, garantindo que nunca sofreu interferência criativa em seus projetos, desde A Way Out até o atual Split Fiction.

Hardware e o Mercado em 2026

A entrevista também ocorre em um cenário de incerteza econômica. Enquanto Fares foca na criação, o mercado observa atentamente os custos de produção. A Nintendo, por exemplo, tem monitorado de perto a volatilidade dos preços das memórias RAM para o sucessor do Switch, tentando evitar que o custo de fabricação dispare e force um preço final proibitivo para o consumidor.

Fares, no entanto, mantém-se otimista: para ele, o foco deve ser sempre a visão criativa. Se o jogo for bom e inovador, o público estará lá, independentemente de ser uma produção de nicho ou um titã da indústria.

A Opinião do Game Division

Josef Fares continua sendo a voz mais honesta (e barulhenta) do desenvolvimento de jogos. Ao defender os AAA, ele nos lembra que, embora a criatividade indie seja vital, o “sonho” tecnológico que os grandes jogos proporcionam ainda é o que move as massas. Sua defesa da EA também nos faz questionar: será que estamos julgando as editoras por erros do passado, ignorando o apoio que dão a mentes brilhantes como a de Fares?

O que você acha das declarações de Fares? O modelo AAA ainda faz sentido para você ou prefere jogos menores e mais focados?

Comente abaixo e compartilhe sua opinião!

Fonte: The Game Business

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