Parece até mentira, mas o jogo mais vendido da história — com mais de 300 milhões de cópias e um impacto cultural que atravessa gerações — quase não chegou a existir. Hoje, Minecraft é sinônimo de criatividade, liberdade e um universo que nunca para de crescer. Mas lá no começo, antes das atualizações semanais, dos milhões de vídeos no YouTube e das crianças minerando blocos como se fosse o maior esporte do mundo, o projeto esteve perto de ser simplesmente… abandonado.
Essa é a história de como um game que começou tímido, criado quase sozinho por Markus Persson, o famoso Notch, enfrentou dúvidas, crises e incertezas reais. E como, por pouco, o jogo não se tornou apenas mais um protótipo perdido nos arquivos de um programador desanimado.
Prepare-se: é uma curiosidade que muita gente nunca ouviu, e revela o quanto o sucesso às vezes depende de insistência, sorte e uma pitada de ousadia.

O começo humilde: Minecraft era só uma ideia experimental
Em 2009, quando Notch começou a trabalhar no projeto, ele nem sequer chamava “Minecraft”. Era apenas um protótipo baseado em jogos como Dwarf Fortress e Infiniminer, duas inspirações diretas na parte de construção e exploração. O primeiro objetivo era bem simples: criar um mundo gerado proceduralmente onde o jogador pudesse minerar e reconstruir o ambiente com blocos.
Se você olhar o visual das primeiras versões, vai notar o quanto era cru: tudo quadrado, sem iluminação decente, sem animais, sem inimigos, sem crafting. Apenas um terreno infinito e uma pá para cavar.
Notch trabalhava nisso no tempo livre, sem equipe, sem investimento, sem qualquer garantia de que alguém se interessaria pelo jogo. Nessa época, ele já tinha criado outros projetos que não foram pra frente, e Minecraft parecia apenas “mais um teste”.
E é aí que o perigo começou.
Notch pensou em abandonar o projeto — literalmente
Com poucas horas de vida, o protótipo já tinha vários problemas técnicos. Bugs apareciam constantemente, o desempenho era instável e o jogo não tinha uma direção clara. Notch escreveu em fóruns, anos depois, que ele ficou desmotivado e acreditava que talvez o jogo não tivesse futuro nenhum.
Ele mesmo admitiu que quase deletou o projeto inteiro do computador.
Essas foram as principais razões:
O código estava ficando difícil de manter.
Ele estava sobrecarregado, trabalhando sozinho e sem descanso.
O projeto não dava dinheiro.
Ninguém sabia o que Minecraft iria se tornar.
E tem mais: Notch tinha acabado de sair de um emprego fixo para tentar viver como desenvolvedor independente. A pressão era enorme. Ele precisava pagar as contas e não podia ficar apostando em ideias eternas que talvez não dessem retorno. Minecraft, pra ele, ainda era só uma experiência divertida… mas não muito mais que isso.
Se ele tivesse seguido esse pensamento, Minecraft teria morrido ali.
A virada inesperada: a comunidade descobriu o protótipo
Então veio o momento que mudou tudo.
Notch postou uma versão jogável muito simples no fórum TIGSource, onde desenvolvedores independentes compartilhavam projetos experimentais. Ele não esperava nada grandioso — no máximo alguns comentários sugerindo mudanças.
Mas, de repente, algo surpreendente começou a acontecer:
as pessoas ficaram vidradas no jogo.
Usuários começaram a cavar, construir e testar os limites daquele mundo de blocos. O jogo, mesmo extremamente primitivo, tinha uma magia estranha: ele permitia criar qualquer coisa. Era um playground infinito.
O fórum explodiu em ideias:
“E se tivesse crafting?”
“E se desse pra lutar com criaturas?”
“E se tivesse noite e dia?”
“E se desse pra fazer casas, castelos, cidades inteiras?”
A cada sugestão, Notch percebia que havia um caminho — e mais importante: havia demanda. O público estava ajudando a construir o jogo em tempo real. A comunidade transformou o que seria abandonado em um projeto vivo.
Essa energia renovou o ânimo de Notch.

A primeira venda mudou tudo
Então, veio o primeiro grande marco: uma pessoa comprou o jogo.
Era uma versão extremamente simples, quase experimental. Mesmo assim, alguém pagou por ele. Notch sempre disse que esse foi o momento onde ele realmente acreditou que Minecraft poderia ser algo maior.
Porque, quando alguém paga por algo que está claramente inacabado, significa que:
1. A ideia vale mais do que o estado atual.
2. Existe potencial real.
3. A pessoa não está comprando o jogo… mas sim a visão do que o jogo pode ser.
Isso deu confiança — e também uma responsabilidade gigante. Depois dessa primeira venda, Notch passou a trabalhar com foco total no projeto.
O crescimento explosivo e inesperado
Depois do lançamento da versão Alpha paga, a coisa tomou um rumo que nem o criador esperava. As vendas começaram a aumentar naturalmente, impulsionadas pela comunidade e pelo boca a boca. Youtubers começaram a testar o jogo, mostrando criações absurdas, cavernas gigantes e desafios espontâneos.
Minecraft virou um fenômeno viral antes mesmo de estar pronto.
Essa fase marcou:
O surgimento dos Creepers (criador por bug).
O sistema de crafting.
A primeira noite com monstros.
A introdução do Nether.
Mods feitos pelo público.
Servidores multiplayer.
Tudo isso surgiu entre 2009 e 2011, quando o “jogo quase cancelado” se tornou um gigante em formação.
Sem Notch insistir, Minecraft nunca teria existido
É quase impossível imaginar hoje: o jogo que domina plataformas, youtubers, servidores gigantescos e até salas de aula… esteve prestes a ser descartado como um projeto sem futuro.
E se isso tivesse acontecido, tudo que vimos depois simplesmente desapareceria:
Não existiria Minecraft Hardcore.
Não existiriam milhares de youtubers que começaram a carreira nele.
Não existiria Mojang.
Não existiria a compra bilionária pela Microsoft.
Não existiriam as versões educacionais usadas em escolas.
E talvez o gênero sandbox moderno fosse completamente diferente.
É um daqueles casos em que um pequeno empurrão — no caso, a comunidade — mudou todo o destino de uma criação.
O aprendizado dessa curiosidade
Minecraft quase ser cancelado mostra uma verdade muito forte sobre a indústria de jogos:
Às vezes, basta uma fagulha para transformar um protótipo perdido em um fenômeno global.
O jogo não nasceu gigante. Não nasceu perfeito. Não nasceu com planejamento.
Ele nasceu de tentativa e erro, de improviso, de insistência… e principalmente de jogadores apaixonados que viram valor onde o próprio criador não tinha mais certeza.
Conclusão: um quase cancelamento que virou lenda
Se Notch tivesse desistido naquele momento de dúvida, o mundo dos games seria completamente diferente.
Minecraft se tornou:
o jogo mais vendido da história,
um dos maiores fenômenos culturais do planeta,
um marco da criatividade digital,
e um dos pilares da indústria moderna.
Mas tudo isso só existe porque alguém não clicou no botão “delete”.
É uma curiosidade poderosa — e um lembrete de que, às vezes, as maiores ideias da história quase não chegam a ver a luz do dia.










