O sucesso de Palworld em 2024 colocou a Pocketpair sob os holofotes da indústria. O jogo explodiu em vendas, engajamento e debate — tanto pelo seu gameplay quanto pelas polêmicas envolvendo comparações com Pokémon. Mas, enquanto muita gente ainda enxerga o estúdio como um “acidente de sucesso”, a Pocketpair deixa claro: o plano vai muito além de Palworld.
Em entrevista ao site The Game Business, John Buckley, responsável pela área de comunicação e publishing da empresa, afirmou que a Pocketpair continuará financiando jogos de outros estúdios, mesmo sabendo que alguns desses projetos podem simplesmente não dar certo.
“Alguns jogos vão fracassar. Isso faz parte. E tudo bem.”
Essa fala, simples à primeira vista, diz muito sobre o posicionamento que a empresa quer assumir dentro da indústria.
De desenvolvedora a publicadora
Após o sucesso comercial de Palworld, a Pocketpair criou oficialmente a Pocketpair Publishing, um braço dedicado a apoiar financeiramente projetos de outros estúdios — principalmente jogos menores e ideias que dificilmente encontrariam espaço em grandes publishers tradicionais.
A proposta não é comprar estúdios, nem controlar propriedades intelectuais. Segundo Buckley, a ideia é dar suporte sem sufocar a criatividade, permitindo que os desenvolvedores mantenham controle criativo sobre seus projetos.
Essa estratégia já começou a sair do papel. Um dos exemplos é Dead Take, jogo anunciado sob o selo da Pocketpair Publishing, que serve como prova concreta de que o estúdio não está apenas discursando sobre apoio criativo — ele já está colocando dinheiro e estrutura em novos projetos.
Aceitar o fracasso como parte do processo
O ponto mais interessante da entrevista está na naturalidade com que a Pocketpair trata o risco. Buckley deixa claro que a empresa entende que nem todo jogo financiado será um sucesso, e que isso não será motivo para encerrar o investimento em novas ideias.
Essa visão é rara em um mercado cada vez mais avesso a riscos, dominado por sequências, remakes e fórmulas testadas à exaustão. Ao assumir que o fracasso faz parte do caminho, a Pocketpair se aproxima mais de um modelo de incubadora criativa do que de uma publisher tradicional.
Claro, isso só é possível porque Palworld gerou uma base financeira sólida. O jogo vendeu milhões de cópias rapidamente e segue em desenvolvimento contínuo, com a versão 1.0 prevista para 2026. Esse fôlego financeiro é o que permite ao estúdio apostar em ideias novas sem depender exclusivamente de retorno imediato.
Um movimento estratégico — e necessário
Não se trata apenas de “boa vontade”. Diversificar investimentos também é uma forma inteligente de evitar que a empresa fique refém de um único sucesso. A história da indústria dos games está cheia de estúdios marcados por um hit que nunca conseguiram se reinventar.
Além disso, existe um fator que não pode ser ignorado: manter a empresa ativa, produtiva e em expansão também ajuda a blindar a marca enquanto a Pocketpair lida com disputas jurídicas em andamento, como o processo movido pela Nintendo. Seguir anunciando jogos, firmando parcerias e investindo no mercado envia uma mensagem clara: o estúdio não está paralisado nem acuado.
Para os desenvolvedores independentes, isso representa uma oportunidade rara: acesso a financiamento sem perder identidade.
O que isso diz sobre o futuro da Pocketpair
A mensagem é clara: Palworld não foi um ponto final, mas um ponto de partida. A Pocketpair quer ser vista como uma empresa que entende o risco criativo e aceita que inovação não nasce em ambientes totalmente controlados.
Se esse modelo vai se sustentar no longo prazo, ainda é cedo para afirmar. Mas, em uma indústria cada vez mais conservadora, a simples disposição de financiar jogos sabendo que alguns vão fracassar já é, por si só, um posicionamento forte.
E talvez seja exatamente disso que o mercado esteja precisando.
Fonte: thegamebusiness










